Diáspora negra, estética e a valorização do saber dão o tom ao debate do Rio

por Denise Camargo

A mesa de debates que ocorreu no Rio de Janeiro no último dia 11 trouxe Cavalo do santo, de Mirian Fichtner, livro com lançamento previsto para dezembro em Porto Alegre, publicado com patrocínio da Fundação Cultural Palmares. Nesse trabalho, de mais de dez anos, a fotógrafa  inventaria as religiões afro-gaúchas e exerce uma visualidade apurada na documentação dos terreiros e seus aspectos cotidianos, rituais sagrados e o profano das festas. Sua poética visual prima pela estética que, na cultura africana é conceituada pela palavra odara. Ela resume tudo o que é belo, bom e bonito, uma chave simbólica para compreender o universo mítico-ritual.

Em  Zeladores de voduns e outras entidades do Benin ao Maranhão, o fotógrafo maranhense Márcio Vasconcelos retrata chefes de terreiros em registros que oferecem a riqueza do universo simbólico e material da nação conhecida como jeje e mina.  Faz o sempre necessário retorno à África para compreender a cultura brasileira, assunto que Mohammed ElHajji, professor da UFRJ, incorpora em sua fala que discute a diáspora negra.

E o fotógrafo carioca Vantoen Pereira Júnior encerrou o debate com o conceito do “nego véio”, construindo um arquétipo da sabedoria, da experiência de vida dos ancestres. Ela é partilhada no ambiente dos terreiros como um valor capaz de perpetuar a manisfestação religiosa e reforçar as identidades.

Mirian Fichtner exalta a expressão odara nestas imagens

Márcio Vasconcelos inventaria o trânsito entre Maranhão e Benin.

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